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Mercado imobiliário está atento a empreendimentos com serviços compartilhados

(04/12/2017)

(A Tarde)

Em todo o Brasil, grupos de amigos e desconhecidos estão planejando construir condomínios em que tenham suas habitações privativas, mas compartilhem serviços que são caros e de pouco uso para uma só família, como lavadora de roupas e, em alguns casos, automóveis. O conceito de coliving, ou "colares", está sendo levado tão a sério que mesmo o mercado imobiliário começa a se movimentar para atender a esse nicho.

Na 28ª Convenção Anual da Ademi, que acontece de 7 a 9 de dezembro, na Praia do Forte, haverá um painel de discussão sobre como conquistar uma fatia do público que está mudando os seus hábitos de consumo e em busca de compartilhar cada vez mais bens e serviços.

"Não faz sentido gastar dinheiro com uma furadeira elétrica para usá-la uma vez e depois guardá-la em um canto da casa para depois esquecer onde colocou", exemplifica Celso Petrucci, presidente da comissão da indústria imobiliária da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), que vem a Salvador discutir o tema.

Assim como Petrucci, o presidente da Ademi-BA, Cláudio Cunha, considera que há uma tendência no mercado de aumento nas áreas comuns dos edifícios e diminuição da metragem da área interna. "Há uma geração, com menos de 40 anos, que está mais aberta a compartilhar serviços, e temos que atender esse público", diz Cunha. Um perfil de compradores que trocaria o salão de festas por um espaço de coworking, por exemplo.

Há divergência quanto ao público preferencial do coliving. A Cbic considera haver um grande potencial para conquistar o público com mais de 60 anos.

Espaços menores

Quem vai se dispor a descer para o playground e ratear os custos ainda é uma incógnita. Mas dentro das quatro paredes a procura por espaços menores é um fato. Um estudo feito a partir de buscas no site VivaReal mostra que 48% dos interessados querem apartamentos de 50 a 100 metros quadrados, enquanto a oferta de unidades nessa faixa pelo site representa 42% do total. "Isso mostra que há espaço para a oferta de apartamentos menores", sinaliza Marcelo Dadian, diretor do VivaReal, que vem à convenção da Ademi para falar sobre o uso da tecnologia nas negociações imobiliárias.

A dúvida é até que ponto o mercado imobiliário vai conseguir atender aos anseios desse novo público que está sendo gestado. Na Bahia, há um grupo no Facebook que troca informações sobre o tipo de moradia que buscam.

Uma das pioneiras em planejamento de coliving no Brasil, a arquiteta paulista Lilian Lubochinski viaja pelo país desde 2013 fazendo palestras e tem prestado consultoria a grupos na Bahia, em Minas Gerais, entre outros estados. Mas até agora ainda não há qualquer projeto.

"É um processo demorado, porque as pessoas têm que negociar o que querem", explica a arquiteta, que afirma não enxergar muitas conexões entre o conceito de coliving e o mercado imobiliário.

Instalar uma máquina de lavar roupas e organizar o seu uso entre os condôminos não parece complicado, mas, no que toca à maioria das escolhas de como seriam as áreas e os equipamentos em comum, a negociação tem sido feita pelos candidatos a vizinhos antes da construção, o que vai na direção oposta dos empreendimentos imobiliários. "A natureza do coliving é de uma construção espontânea", diz Lilian, que há um ano adotou a expressão em português "colares". Apesar disso, ela admite ter recebido convites de empresários do setor para fazer palestras sobre o tema.

 

Marcas de luxo investem no mercado imobiliário de Miami

(O Globo)

Armani, Fendi, Missoni, Aston Martin e Porsche são algumas das grifes que já construíram ou que ainda vão erguer empreendimentos na cidade

RIO - Não basta ter uma bolsa, um vestido ou um carro de luxo. A nova onda, pelo menos em Miami, é viver numa casa grifada. Armani, Fendi, Missoni, Aston Martin e Porsche são algumas das marcas que já construíram ou que ainda vão erguer empreendimentos imobiliários na cidade. Em abril, foram entregues as chaves da Porsche Design Tower, uma torre de 60 andares. O destaque do prédio são os três elevadores de US$ 40 milhões que levam os carros aos apartamentos e os deixam nas salas de estar dos moradores, se assim eles quiserem. Os imóveis, que variam de 443 m² a 880 m², além de coberturas com 1.350 m², custam entre US$ 5,5 milhões e US$ 33 milhões. A cantora Alicia Keys fez um show exclusivo para os moradores na inauguração do empreendimento.

Duas piscinas rodeadas por jardins tropicais com camas para relaxamento e aromaterapia, spa com piscina térmica coberta e lounge com cozinha gourmet são apenas algumas das amenidades oferecidas pelo Fendi Château Residences. Há ainda restaurante exclusivo para os moradores e seus convidados, um business center, uma equipadíssima academia de ginástica e até uma sala de cinema. O estilo da grife está impresso nos apartamentos, que contam com mármore italiano nos banheiros, armários Fendi Casa e equipamentos alemães Gaggenau na cozinha.

A área de Sunny Isles, que fica ao norte de Miami Beach, é uma das preferidas da turma que pode pagar pelo que há de mais exclusivo, moradores que querem chegar ao último degrau do luxo e design. É por lá que está sendo construído um edifício de 60 andares, cujo design arrojado é assinado pelo estilista italiano Giorgio Armani. Serão 308 unidades, com preços que começam em US$ 3,5 milhões. Os móveis da cozinha e do banheiro entram no pacote e serão projetados pela Armani Casa. Mas o apartamento pode ser todo decorado pela grife, com um custo adicional não divulgado. A previsão de entrega é 2019.

Famosa pelos carros esportivos de alto desempenho, a Aston Martin começou a construir em março um prédio de 66 andares que se destacará na paisagem de Miami pela sua forma de veleiro. O edifício da marca favorita do agente 007 deve estar pronto em 2022 e contará com uma marina, onde os moradores poderão atracar seus iates. Cerca de 20% das unidades já foram vendidas. Desse total, 40% para brasileiros, segundo Matias Alem, fundador da BRG International, responsável pela comercialização do empreendimento. É bom correr se a sua intenção for comprar a cobertura. O imóvel, que é um tríplex e tem 1.770 m² de área, ainda está à venda por US$ 50 milhões. De brinde, o proprietário ganhará da Aston Martin um Vulcan para estacionar na garagem. Só o carro custa US$ 2,3 milhões.

Matias diz que, em 2016, canadenses, venezuelanos e brasileiros, nesta ordem, dominaram as compras de apartamentos de luxo em Miami. Quem disse que estávamos fora do páreo?

Um lobby by Lagerfeld e uma torre com décor da Missoni

Lobby projetado para o The Estates at Acqualina, em Miami, por Karl Lagerfeld - Divulgação
As duas torres de 50 andares do condomínio The Estates at Acqualina, em Sunny Isles, não terão a assinatura de uma grife, mas seus lobbies e áreas comuns foram projetados por ninguém menos que o estilista Karl Lagerfeld. Para o designer, o lobby é essencial, porque é o local onde as pessoas socializam umas com as outras: "É como uma sala de estar compartilhada. É a primeira impressão que temos quando visitamos as pessoas". Lagerfeld criou uma área com cascata de cristais em ambiente em tons de azul-celeste, prata, cinza e pitadas de rosa. Quase um vestido.

Alexandra Wensley, vice-presidente de comunicação do empreendimento, diz que o negócio foi idealizado pelo The Trump Group e avaliado em US$ 1,5 bilhão. O The Estates terá uma área comum, a Circus Maximus, repleta de atrações, como uma pista de patinação no gelo, simuladores de Fórmula 1 e golfe, pistas de boliche e um cinema. A lista de conveniências inclui ainda restaurante, spa e academia, além do clube noturno Speakeasy.

- A expectativa de conclusão é 2020. Serão 245 unidades, com de três a sete quartos. Os preços variam de US$ 4,2 milhões a US$ 9 milhões. As coberturas custarão US$ 40 milhões. Closets elaborados pelo próprio Lagerfeld serão um luxo a mais - diz Alexandra.

Também está em construção o Missoni Baia, na Baía Biscayne, em East Edgewater. Rosita Missoni, matriarca da grife italiana, acompanhou de perto o projeto. Tudo para que cada detalhe do design da obra tenha o zigue-zague característico da marca e se destaque no projeto da torre de 60 andares.