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Para Abecip, crédito imobiliário deverá mostrar retomada no próximo ano

(07/12/2017)

(ISTOÉ)

O financiamento para a compra e a construção de imóveis no Brasil deve entrar em trajetória de crescimento no próximo ano, impulsionado pela redução dos juros e da inflação, alinhado ao avanço gradual da geração de empregos, ajudando a aquecer o mercado imobiliário. A estimativa é do presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Duarte de Abreu Filho.

"A perspectiva para o cenário macroeconômico é benigno para 2018", afirmou nesta quarta-feira, 6, durante palestra em evento com empresários da construção no Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

Abreu destacou que os financiamentos deverão atingir em 2017 o montante de R$ 117 bilhões, o que corresponde a uma leve alta de 1% em relação a 2016. "Apesar da crise nacional, o volume de desembolsos é grande perto da série histórica", observou o executivo, citando o pico do setor em 2014 (R$ 156 bilhões) e os números considerados expressivos dos anos seguintes: 2015 (R$ 129 bilhões) e 2016 (R$ 116 bilhões).

O presidente da Abecip observou também que o crescimento de 1% neste ano pode ser visto de maneira positiva porque houve uma mudança de trajetória no volume de desembolsos, que chegaram a registrar baixa superior a 10% no primeiro semestre. Essa alteração no cenário reforça as projeções de uma retomada mais robusta no ano que vem, avaliou.

Em 2017, crescimento do crédito imobiliário foi encabeçado pela concessão de empréstimos com recursos originados no FGTS, que baterão R$ 72 bilhões, alta de 4,1%. Por sua vez, o crédito oriundo da poupança somará R$ 45 bilhões, retração de 3,5%.

Na visão de Abreu, o cenário macroeconômico mais favorável deverá ajudar a recompor as cadernetas, que perderam recursos devido aos saques superiores aos depósitos nos últimos anos.

 

Tenda trabalha com meta de expandir lançamentos em 10% a 15%

(EXAME)

Em 2017, os novos projetos da incorporadora deverão totalizar R$ 1,6 bilhão em valor geral de vendas 

São Paulo - Mesmo diante de um cenário marcado por incertezas em relação à disponibilidade de recursos para financiar a compra e a construção de imóveis, a Tenda prevê um ritmo de crescimento de 10% a 15% no volume anual de lançamentos nos próximos anos, de acordo com projeção citada nesta quarta-feira, 6, pelo diretor presidente da companhia, Rodrigo Osmo.

Em 2017, os novos projetos da incorporadora deverão totalizar R$ 1,6 bilhão em valor geral de vendas (VGV).

"Eu estou otimista", disse o executivo em conversa com jornalistas.

Segundo Osmo, a demanda por moradias populares continua aquecida, decorrente do crescimento demográfico e do persistente déficit habitacional no País. Além disso, boa parte dos clientes nesse segmento troca o pagamento de aluguel em moradias de baixa qualidade por um financiamento com valor semelhante por um imóvel novo, de maior qualidade. "É uma conta racional", explicou, afastando os impactos da crise econômica nacional.

Neste momento, a direção analisa duas novas regiões metropolitanas e pretende iniciar as atividades em ao menos uma delas em 2018.

A Tenda já está presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife, além de Curitiba, onde lançou um empreendimento recentemente. Por conta disso, a companhia prevê um crescimento de 25% dos desembolsos com a compra de terrenos no ano que vem.

Apesar do otimismo com o nível de demanda do mercado, Osmo disse que são preocupantes os gargalos para concessão de financiamento na Caixa Econômica Federal - que procura alternativas para adequar sua estrutura de capital às novas regras do Acordo de Basileia - e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que tem liquidez decrescente.

Na prática, esses gargalos poderão diminuir a velocidade de vendas de imóveis e, principalmente, gerar uma restrição mais forte do crédito destinado ao financiamento de empresas à produção nos próximos meses.

"A estratégia da companhia prevê uma estrutura de capital que comporte as operações mesmo sem crédito à pessoa jurídica", frisou Osmo, explicando que a companhia buscará aproximadamente R$ 200 milhões junto a fontes do mercado para capital de giro.

Osmo previu ainda um esvaziamento gradual dos projetos na faixa 1,5 do Minha Casa Minha Vida, que conta com uma parcela de subsídios do FGTS.

Com isso, a meta de expansão dos lançamentos em 2018 já considera unicamente as operações dentro da faixa 2 do programa habitacional, que não recebe subsídios diretos do fundo.

O diretor presidente da Tenda explicou ainda que o lucro obtido pela Caixa com o repasse de clientes na faixa 2 é suficiente para conservar a estrutura de capital do banco e o atendimento das regras do Acordo de Basileia. "Mas se a Caixa não tiver sustentabilidade de longo prazo, ela é um fator de risco. Isso nos preocupa."

Banco de terrenos

A Tenda conseguiu recompor o banco de terrenos para atender sua meta de expansão dos lançamentos ao longo dos próximos anos, afirmou Osmo. "Há um ano, um dos maiores riscos operacionais era o descasamento no landbank (banco de terrenos). Conseguimos equacionar essa questão", afirmou o executivo, durante reunião pública com investidores, analistas e jornalistas.

De acordo com o balanço mais recente, o banco de terrenos da companhia chegou ao fim do terceiro trimestre com áreas capazes de suportar R$ 6,3 bilhões em lançamentos, 50,7% mais do que um ano antes. Esse estoque de terras é capaz de atender 100% dos projetos com previsão de lançamento em 2018, 70% em 2019, 42% em 2020 e 18% em 2021.

Osmo reiterou os planos de expansão dos lançamentos, embora sem detalhar uma meta, e acrescentou que a companhia tem uma das maiores velocidades de venda no mercado imobiliário.

O bom desempenho nas vendas, segundo ele, se deve à atuação concentrada na faixa 2 do Minha Casa Minha Vida, com foco nas seis maiores regiões metropolitanas do País, segmentos onde a demanda está mais aquecida.

O executivo ainda minimizou o efeito dos distratos sobre a companhia, que só concretiza a venda após a liberação de crédito dos bancos aos consumidores.

"O nível atual não preocupa. Nosso distrato acontece geralmente 2 a 3 meses após a venda, numa faixa praticamente constante de 10% a 15% dos negócios. Há bastante tempo para uma eventual revenda antes da entrega da obra", explicou.